sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tempos Modernos.

Ela não era muito chegada nessas modernidades eletrônicas como a maioria das pessoas nascidas antes da década de 70. Faltava-lhe um chip ou algo do gênero acrescido do fato de não gostar de mudanças, por ela tudo permaneceria igual e teve o azar de nascer em uma época em que tudo muda muito rápido. Qualquer criança era melhor que ela. Tem medo desses objetos que não entende como funcionavam. Aprendeu a usar o computador para coisas básicas. Morria de medo de ficar como aqueles idosos que não tinham coragem de descer pela escada rolante da Prestes Maia (uma das poucas dos anos 60) e vacilavam na beirada dela com aquele mundaréu de gente atrás esperando para descer. Não queria ficar assim em frente ao caixa eletrônico.

Claro que pagou todos os “micos” que quem é dessa geração sabe quais são e quem não é também sabe por que teve que socorrer uma tia, a mãe, o pai etc.

E-mail?! Grupos sociais?! Ela demorou uns dez anos para começar a usar e isso só aconteceu por conta do encontro da turma de faculdade. Fax só o da papelaria perto de sua casa e porque o rapaz passava para ela. A tal da modernidade foi entrando em sua vida numa velocidade que não conseguia assimilar.

O telefone celular foi outra história. Resistiu o mais que pode, achava desnecessário e não gostava daquele aparelho. No aniversário deste ano (isso mesmo deste ano) ganhou um celular dos irmãos. Argumentaram que a mãe estava idosa e que eles já não eram tão jovens e que um celular poderia ser de grande valia principalmente para ela que morava sozinha.

Aceitou meio ressabiada e devagar foi aprendendo a usá-lo, não sem antes fazer algumas confusões típicas. Não conseguia que o telefone só tocasse, ele vibrava e tocava e ela tinha medo de mexer nisso, enviava mensagem para a pessoa errada e uma vez chegou a fotografar seu pé e enviar para seu irmão sem perceber e ele a reconheceu pelo sapato. Maior vexame. Assunto do almoço de domingo... Seus sapatinhos enviados por engano. Um dia tentou subir a escada rolante de um Shopping pelo lado errado distraída que estava tentando atender uma chamada. Vexame total! O pior é que o celular a deixava tensa achava que não podia separar-se dele e o levava para todo lugar. Ele possuía lugar de honra na mesa de refeição, na do escritório e até na mesinha ao lado da cama. O problema era arrumar um lugar para ele no banheiro, se entrava no chuveiro o colocava no assento sanitário, mesmo achando o lugar inadequado, mas quando ela estava usando o assento era o maior problema, se o colocava no chão receava que molhasse ou que distraída pisasse nele. Resolveu que o melhor lugar seria na pia, na parte mais larga dela, cuidava de secá-La e punha seu celular lá. Assim foi por vários dias até que um dia ele tocou. Tocou não! Começou a vibrar e tocar e pulava feito um doido, parecia que tinha adquirido vida própria e saltava mais que criança pisando em areia quente, demorou um pouco para ter condições de levantar-se. Conseguiu evitar o desastre e segura-lo a tempo. Só não conseguiu segurar o mau-humor. Decidida aposentou o celular.


PS Sinto ter perdido os comentários dos amigos que passaram por aqui ontem. Penso que depois desses dois dias, os transtornos da minha personagem ficaram por demais simples. A Blogger ganhou de longe e essa modernidade pega a todos até os modernos. .


5 comentários:

Camila Vasconcelos disse...

Linda, adorei seu blog e já estou te seguindo, depois da uma passada lá no meu estiloinside.blogspot.com.

Beijooos.

Camila Vasconcelos

Naty e Carlos disse...

Um amigo verdadeiro é alguém que chega quando todos os demais se vão, e se fica quando todos os demais desapareceram. Graças por ser meu amigo.
Uma boa semana
Bjs com carinho

Sergio Martins disse...

Bela reflexão! Tenha uma ótima semana;abç!

angela disse...

Obrigada pela leitura e comentários.
beijos

Dalva Maria Ferreira disse...

Absolutamente perfeito (conforme aquilo que eu posso avaliar, pois que não sou nenhuma crítica literária oficial) - muito bem escrito, desenvolvido com a máxima elegância. Parabéns, amiga. Ah! o nome da personagem pode ser Dalva Maria, esta sua humilde seguidora. A "téquinologia" leva anos-luz para me atingir.