terça-feira, 19 de abril de 2011

Pequeno ensaio sobre a mentira.



A indignação e o espanto tomou conta de seu rosto e o amigo sem jeito tratou de encerrar o assunto.

O outro até tentou continuar, mas ele não quis. Estava totalmente sem graça. Foi embora ruminando o acontecido. Caso olhasse para trás, surpreenderia o olhar triunfante do amigo.

Este se deixou ficar por lá mesmo, entrou num café e satisfeito pensava como mentia cada vez melhor.

Lembrou o longo caminho que percorrera até ali desde menino. A mãe perguntando se ele tinha feito aquilo e ele na sua inocência dizendo que sim e logo a surra, o castigo, o espanto. Magoado não compreendia por que era para o bem dele. Ficou com medo de responder as perguntas, mas, ela percebia pelo seu medo que fora ele. Aprendeu a disfarçar o medo, mas ela desvendava por outras evidencias e ele foi aprendendo a disfarçar cada vez melhor. A grande "sacada" foi quando descobriu que não precisava esconder as emoções e sim usa-las. Foi assim que ele procedeu há pouco; a energia do medo, da apreensão fora usada para mostrar indignação, espanto e aí à mentira era quase uma verdade. As pessoas, quase sempre, preferem acreditar no que é mais fácil para elas e o engano é quase um acordo mudo feito entre as partes .

O amigo foi embora triste sabia que ele tinha mentido que tudo era encenação, conhecia os truques todos dos mentirosos poderia ser um deles se quisesse, e de certa maneira o era fazendo de conta que acreditava. Não queria entrar em uma discussão inútil, não tinha provas e tudo ficaria no campo subjetivo das impressões.Ele tinha aprendido também outra lição na vida que era calar o que a inteligência percebia e não podia provar e passar por tonto como acontecera há pouco.

A amizade terminaria ali, naquela conversa. A mascara da hipocrisia estaria no rosto dos dois impedindo qualquer contato verdadeiro e isso o entristeceu demais.


3 comentários:

missosso disse...

pequeno e belíssimo ensaio, vale apena esperar pela prosa que vc sonega e vai pingando aos poucos. tks

VELOSO disse...

Um bélissimo ensaio realmente minha amiga! Quantas verdades! Saudade de visitar seus escritos com mais tempo um abraço e obrigado sempre gosto sempre de lembrar do Espaço Aberto pois foi através dele que me senti acolhido na blogosfera e me tornei um blogueiro de verdade!

angela disse...

Agradeço o tempo gasto na leitura do texto e os generosos comentários.
beijos