quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Vilém Flusser

 
 
 
 
  





o processo do epnsamento é absurdo. epnsamos para não epnsar mais, falamos para podermos calar-nos. mas é essa absurdidade do epnsamento que faz com que sejamos homens e mulheres. ser mulher ou homem é ser absurdo. é inalcançável para nós a ingenuidade paradisíaca, o estado anterior à dúvida, a integração portanto. somos, como homens e mulheres, seres alienados, seres expulsos. aceitemos absurdidade do desterro. duvidemos o mais possível, e duvidemos num máximo de camadas possíveis. ao expulsar-nos do seu seio, nossa origem nos arriscou (Rilke). aceitemos o risco. não nos deixemos enjaular pelas poucas camadas agora em vias de realização pela conversação do Ocidente. não tenhamos medo de novas palavras e de novos epnsamentos. abramos novas aberturas e experimentemos novos espantos. assim, somente assim, seremos mulheres e homens dignos, isto é, res cogitantes, coisas epnsantes.

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