segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ensaio sobre Leitura: Poemínimos. Amigos, viver é partilhar e o prazer de escrever se completa com o olhar do leitor. Por isso, aí vai.

Ensaio sobre Leitura: Poemínimos: Esses dois poeminhas ganharam 1o e 2o lugar -Melhores Haicais dentre os mais de 20 ótimos concorrentes da Oficina de Haicai do B-Eco de 17/...

Poema de Urgência



Que vontade que me dá

agarrar você com todo despudor

encher sua pele de escamas

de tesão

ser sonambula em seus braços

consciência pra que?

hoje eu quero os sentidos

a sensação

a pele

a insensatez

dispenso todo resto

que não tenho precisão.

domingo, 30 de outubro de 2011

Atrações da Caldeira d a d a Diversidade

1-Música Dj Kblo e Dj João Rocha, bandas: Boy´s Night, Pappas Palace, Anima, Nico Latinidade, Maracatu de Raquel Trindade e banda Gaza. E mais, Tag tool e Guitarrada

2-Cia de Dança de Claudia Souza, Palhaços e Teatro Jandira

3-Desfile Dasdoida em homenagem a Foucault
lançamento Revista Lowcultura e do livro Igapó de Anísio Mello, editora VALER

4-Feira solidária Bazar da Rede Ecosol

5-Alimentação: churrasco Só a Antropofagia no Une, salgados e bebidas

6-Instalações e videos de Janaina Nagata e Nídia Bastos, Playmobil em obras de Lê Machanoscki

7-Oficinas
-silk screen DASDOIDA, cerâmica de Vicente Cardia
-tear+origami João Villares e Silvia Arima
-EVGB sobre eleição de heróis de videogame com Willian JS e Geane Baccar

8- Balcão informativo da Ong Caleidoscópio


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

questão

por que insisti naquela porta
se não havia lá nada
que já não estivesse
fechado

outra tantas mais batalhas
se todas as guerras são a mesma guerra
perdida

ir embora nova terra novo mar
se nenhum navio me leva onde já não tenha
chegado

se a cidade seguirá atrás de mim
com as mesmas ruas que cruzam
as mesmas esquinas

os mesmos subúrbios insensatos
a desembocar nas praças baldias de sempre
por que não há outra terra

outro mar
nem outra casa nem será possível criar
um outro lugar

apenas a velha armadilha
do ideograma chinês
我 (eu)
?

sábado, 22 de outubro de 2011

Rimbaud era zagueiro de várzea na Vila Manchester

eu sou o pirata
da cara-de-pau
eu vendo sujeitos
à razão social

consumo doses diárias
de autoajuda
o photoshop
da alma

pratico yoga pilates tai chi
maharishi moxabustão
apóio causas perdidas
como a dos ba’hái
e o Curdistão

aprendi com os autoreverses
davida
que maçã prende
mamão solta
branco engorda
preto emagrece
e que a rapadura é doce
mas não é mole
não

(por isso my brother Charles
mesmo sabendo que é abuso
antes de ir
agito e uso)

e eu o barco bêbado
dos bailões do patropi
cabra da peste
a leste
de Bucareste
tive o estalo de Vieira
o insight de Jobs
no Buena Vista Social Club da vida é Wim Wenders
... e aprendenders

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

SENTIDO CONTRÁRIO














Ele vinha alegre,

ele vinha rindo,
vinha meio grogue,
curtindo o efeito da bebida forte
e sei lá mais do quê.

Ele vinha alegre,
vinha caminhando,

e vinha cantando,

e seguindo a canção.



Vinha bem feliz.

No meio da noite,
porém,
todavia,
vinha o infortúnio
em sentido contrário:

Tá rindo do quê?

Fim da libertè,
da egalitè, e não sei mais o quê.




sexta-feira, 14 de outubro de 2011

a cidade dos vidros


o bulbo branco no teto brilha
um instante e se dissolve
como uma pastilha de sal de frutas
no copo da escuridão


desperto
caindo de guarda-chuva
na zona verde
da manhã


como se mergulhasse numa
floresta
rumo ao imenso
sistema das raízes


ou como se o mar fosse fundo
espelho voltado
para a lonjura do céu
um muro horizontal


o lago de mármore janela
aberta para o centro
da terra
o que é ser rio e correr?


cada pessoa é uma porta
entreaberta
para um mundo
onde há lugar para todos


mariposas loucas de verão
são pequenos telegramas
pálidos
que a noite envia


passeio pela avenida neonazi
skinheads por detrás das nuvens
uma chuva fininha pura
como agulhas de vidro


tudo que está vazio
volta sua face para mim
e murmura não estou vazio
apenas espero


na noite estrelada
dos meninos de rua
o último a dormir
apaga a lua